Neste carnaval acabei fazendo meu retiro espiritual, no meu esconderijo em Correas, portanto não me enveredei em nenhuma aventura gastronômica nova. Por isso, hoje farei menção honrosa a um restaurante que frequento há pouco tempo; dos seus 36 anos de existência, segundo minhas contas, frequento há 33 anos. Fundado, dirigido e tendo como Chef meu amigo (depois deste tempo todo, acaba virando mesmo), o Sr. Ettore Siniscalchi. No seu início, Ettore abriu um pequeno pastifício em 1981, no então escondido e recém-inaugurado Condado do Cascais, no pouco conhecido e explorado bairro da Barra da Tijuca. A casa cresceu junto com o bairro. Transformou-se em uma pequena cantina, que se ampliou para um restaurante. Já em meados dos anos 1990, com a abertura às importações, o cenário gastronômico no Brasil mudou e, com ele, o Ristorante tornou-se o Ettore Cucina Italiana.

Mesmo com o passar dos anos, ainda é possível conferir as massas produzidas na casa com a mesma receita da inauguração. Com produtos de ótima procedência e uma gastronomia de qualidade, a história do Ettore Cucina Italiana é pautada pelo compromisso de harmonizar o paladar brasileiro com os melhores fundamentos da culinária italiana. Além de acompanhar de perto a elaboração de novas receitas e iguarias em sua cozinha, uma das grandes responsabilidades do Ettore é honrar o alto índice de fidelização de sua ampla clientela, representada por diferentes gerações.

Nesses anos que se seguiram, frequentei o Ettore pelo menos 1 a 2 vezes na semana. A primeira vez que fui ao Ettore foi em 1984, ano em que meu velho pai comprou um apartamento no longínquo Recreio dos Bandeirantes para passarmos fins de semana. Fomos ao Ettore para comemorar, até porque não tinha muita coisa na Barra naquela época. No Ettore, presenciei muita coisa, como uma moça muito bonita que se sentava em cima do capô dos carros, que em meados dos anos 80 podiam parar na porta, esperando algum conhecido seu oferecer um vinho. Era uma tal de Luma de Oliveira; bem como, numa outra vez, lembro que um distinto senhor teve que se esconder às pressas na cozinha porque sua esposa entrara no restaurante procurando por ele (imagina!!). Frequentando o Ettore, cresci, tornei-me adulto, namorei, briguei com minha namorada, casei-me com minha namorada, comemorei diversos aniversários meus, comemorei outras conquistas, bebi para esquecer. Ettore viu a minha filha na barriga da mãe, depois viu minha filha no carrinho de bebê; hoje ele dá desenhos para minha filha colorir e a danada corre pelos corredores estreitos do restaurante.

Uma ida ao Ettore é ter um almoço longo, calmo e divertido, sozinho ou com amigos. Pegue uma mesa redonda. Durante o dia gosto das que estão perto dos vidros para ver o movimento; à noite, gosto das mesas da parte do fundo, que são muito aconchegantes. Uma boa e refrescante pedida é a sangria de vinho tinto da casa. Sempre muito saborosa. De entrada, sugiro fazer um prato de frios acompanhado de uma rosca italiana, O Ettore dispõe de excelentes azeitonas, uma vitelinha maravilhosa e uma sardella única, bem como caponatas e patê de azeitonas, muito bons. O carpaccio clássico vale a pena, bem como a maravilhosa burratta, que são servidos com uma torradinha feita na casa que considero a melhor do Rio de Janeiro. Os pratos têm diversas escolhas agradáveis, as minhas preferidas são: os gnocchi a tagliata e o ripiene, o tagliatelle ao modo mio, o tagliatelle com limone e gambier, a lasanha Ettore, muito boa, e as carnes. O meu de sempre é o file a parmegiana. O paillard com fettuccine é sempre bom, mais tem a maravilhosa saltimbocca alla romana e o filetto com batatone (batata ?), sem esquecer do muito bom polpetone. De sobremesa, sempre recomendo as míticas bombas de chocolate.

O legal é que o Ettore sempre manteve o pastifício, que fica na loja coladinha ao restaurante e ali você pode levar as massas para casa, bem como os pães e todos os componentes da mesa de frios, todos em caixinhas com porções menores. Se quiser também pode levar um pirex e encomendar a massa pronta para levar e servir em casa, aí é muito legal. Já por diversas vezes pego porções pequenas dos frios, sardella, azeitonas, uma rosca italiana, um carpaccio e as maravilhosas torradinhas que vendem em saquinhas de 100g, os quais servem muito bem 06 pessoas, que vão curtir uma noite toda de bom papo e vinho. Isso se não quiser levar o jantar também!

O Ettore, apesar das obras e da crise, se mantém lá, no Condado dos Cascais, firme e forte, como uma boa opção de bom restaurante. Continuo indo lá, sempre que lembro, para junto com minha família passar bons momentos.

Agora também há uma filial na Cidade Jardim.

Na rede: www.ettore.com.br

O Condado dos Cascais hoje em dia fica defronte à estação de metrô da Barra, no sentido Barra>Barrashopping. Sejam felizes!!!