Escrito por Dr. Adilson Tavares

O Correio da Lavoura é o mais antigo jornal de Nova Iguaçu, em circulação. No dia vinte e dois de março último completou cem anos de existência. Fundado por Silvino de Azeredo* em 1917, atravessou quase todo o século vinte e esse início do século vinte e um vivenciando todas as grandes crises do nosso país e do mundo. Muitos jornais nestes cem anos tiveram a sua vida interrompida, por motivos diversos. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas, o Correio da Lavoura vem se mantendo até os dias atuais. De 1917 a 1935 foram criados muitos jornais em Nova Iguaçu. Destes, apenas o Correio da Lavoura conseguiu chegar ao centenário. Alguns cessaram suas atividades em poucos anos.

Qualquer pesquisa sobre a história recente de Nova Iguaçu (últimos cem anos) não pode prescindir das matérias deste semanário. A coluna “Há precisamente meio século” é uma fonte de consulta para se tomar conhecimento de fatos antigos. Os mais antigos podiam recordar fatos que eles viveram nas primeiras décadas do século vinte, mas “há precisamente meio século” de hoje é 1967 e está muito próximo de nós e de nossos filhos. A sessão “Nossa Memória” é sempre um motivo para procurar pessoas conhecidas que já faleceram ou que não residem mais em nossa cidade. Ainda temos a sessão “Atualidades”, com as informações da semana, a coluna “Andando por aí”, sempre uma crônica atual e a “Coluna Social”. Não podemos deixar de assinalar o noticiário esportivo, que há muitos anos ocupa a última página do semanário. É motivo de orgulho de colaboradores eventuais ter um espaço para emitir suas opiniões. Dessa forma o Correio da Lavoura continua sendo, como queria Silvino Azeredo, um jornal adequado aos pequenos povoados que vivem em família. Quando a citricultura era a força econômica do município, Nova Iguaçu se tornou um importante centro exportador de laranja e o nosso jornal lá estava incentivando os produtores e seus trabalhadores. O compromisso de Silvino Azeredo, à época da fundação do hebdomadário, era a defesa da lavoura, da higiene e da educação. Ele queria que suas palavras chegassem ao nobre e honrado lavrador. Para isso era necessário que o trabalhador fosse alfabetizado. Por isso a defesa da educação como uma das finalidades do Correio da Lavoura. É claro que, após a década de quarenta do século passado, com a decadência da citricultura, o jornal precisou se adaptar à nova realidade. A família Azeredo sempre esteve à frente da empresa. Após Silvino vieram Avelino Azeredo e Luiz Azeredo, que durante muitos anos conduziram com maestria a tarefa herdada do pai. Duas outras gerações se encarregam, atualmente, de continuar o trabalho. Robinson Belem de Azeredo (filho de Avelino de Azeredo) é o editor-chefe e seu filho Vinícius Menezes Azeredo é responsável pela direção comercial. Por tudo que o Correio da Lavoura representa para Nova Iguaçu, a sociedade iguaçuana parabeniza-o pelo fato inédito de chegar ao centenário.

*Silvino Hypolito de Azeredo nasceu na Vila de Iguaçu em 1859. Lecionou matemática no Liceu Literário Português, foi professor de Escola Pública em Paty do Alferes, trabalhou como revisor do Jornal “Diário do Brazil”, no Rio de Janeiro, foi comerciante e funcionário da Alfândega a partir de 1904, antes de fundar o Correio da Lavoura em 22 de março de 1917, aos 58 anos de idade.