Saiba como prevenir e descobrir de forma precoce o câncer de colo de útero

 

Em setembro, o calendário de área de saúde no Brasil já volta o seu olhar para a cuidado com a mulher, preparando-se para o famoso outubro rosa. Porém, ao longo do mês de setembro, a pauta principal é o câncer de colo de útero, também conhecido como câncer cervical. Este tipo de tumor é muito comum entre as brasileiras, mas é altamente evitável e, com os exames sendo feito no período correto, suas chances de diagnóstico precoce e cura são bem altas.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), só em 2020 foram diagnosticados mais de 16 mil novos casos no Brasil. Retirando o câncer de pele não melanoma, o tumor de colo de útero é o terceiro tumor maligno mais frequente na população feminina, atrás apenas do de câncer de mama e de colorretal.

Este tipo de tumor tem como sua causa principal a infecção persistente por alguns tipos do Papilomavírus Humano – HPV. A contaminação genital por este vírus é muito frequente e, na grande maioria das vezes, não causa doença. Porém, em alguns casos, ocorrem alterações celulares que podem evoluir para um tumor. Além disto, algumas mulheres que fumam e fizeram uso prolongado da pílula anticoncepcional tem o risco aumentado do desenvolvimento da doença.

A grande forma de prevenir o tumor de colo de útero está diretamente relacionada à diminuição do risco de contágio pelo Papilomavírus Humano (HPV). A transmissão da infecção ocorre por via sexual, presumidamente por meio de abrasões, que são desgastes microscópicos causados por atrito ou fricção, na mucosa ou na pele da região dos órgãos genitais ou do ânus. Consequentemente, o uso de preservativos (camisinha masculina ou feminina) durante a relação sexual com penetração protege parcialmente do contágio pelo HPV. Lembrando que ele também pode ocorrer pelo contato com a pele da vulva, região perineal, perianal e bolsa escrotal.

O Ministério da Saúde implementou no calendário vacinal, em 2014, a vacina tetravalente contra o HPV para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Esta vacina protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. Os dois primeiros causam verrugas genitais e os dois últimos são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero. Por isto, é de extrema importância que seus filhos, de ambos os sexos, ao chegarem na idade adequada, sejam também vacinados contra o HPV.

O câncer de colo de útero, em estágio inicial, não apresenta nenhum tipo de sintoma, por ser uma doença de desenvolvimento lento. A detecção precoce da doença ocorre através do exame Papanicolau, também conhecido como esfregaço cervicovaginal ou colpocitologia oncótica cervical. Ele é um exame simples e rápido onde é coletado tecido da área para análise laboratorial.

A vacinação e a realização do exame preventivo (Papanicolau) se complementam como ações de prevenção deste tipo de câncer. Mesmo as mulheres vacinadas, quando alcançarem a idade preconizada (a partir dos 25 anos), deverão fazer o exame preventivo periodicamente, pois a vacina não protege contra todos os tipos oncogênicos do HPV. Para mulheres com imunossupressão (diminuição de resposta imunológica), vivendo com HIV/Aids, transplantadas e portadoras de cânceres, a vacina é indicada até 45 anos de idade.

É importante destacar que o exame deve ser oferecido às mulheres ou qualquer pessoa com colo do útero, na faixa etária de 25 a 64 anos, e que já tiveram atividade sexual. Isto pode incluir homens trans e pessoas não binárias designadas mulheres ao nascer. Devido à longa evolução da doença, o exame pode ser realizado a cada três anos. Para maior segurança do diagnóstico, os dois primeiros exames devem ser anuais. Se os resultados estiverem normais, sua repetição só será necessária após três anos.

Quando diagnosticado na fase inicial, as chances de cura do câncer cervical são de quase 100%. Ao se confirmar o diagnóstico, o tratamento para cada caso deve ser avaliado e orientado por um médico. Entre os tratamentos para o câncer do colo do útero estão a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia. O tipo de tratamento dependerá da evolução da doença, tamanho do tumor e fatores pessoais, como idade da paciente, quadro de saúde geral e desejo de ter filhos. Caso seja confirmada também a presença de lesão precursora, ela poderá ser tratada a nível ambulatorial, por meio de uma eletrocirurgia.

Apenas quando a doença já se encontra em estágio avançado, ela apresenta sinais. Queixas como sangramento vaginal intermitente, que vai e volta, ou logo após a relação sexual são comuns em casos mais evoluídos da doença. É possível que surjam também secreção vaginal anormal e dor abdominal associada a questões urinárias ou intestinais. Em caso de qualquer um destes sintomas, é imprescindível a busca por um ginecologista para examinar melhor a situação.

O tumor de colo de útero é um daqueles casos de câncer que tem chance de ser evitado ou descoberto de forma precoce se tivermos cuidado com a nossa saúde e mantivermos os exames de rotina em dia. A preocupação com as doenças que podem se desenvolver no corpo da mulher não deve acontecer apenas em outubro quando falamos de câncer de mama. Mulheres, uma vez ao ano, visitem o seu ginecologista e façam seus exames preventivos. A sua saúde é sempre o item mais importante da sua vida.