Chegamos em outubro, o mês em que temos a mais conhecida campanha de prevenção de câncer: Outubro Rosa. A campanha foi criada no início da década de 1990 pela Fundação Susan G. Komen for the Cure e é celebrada anualmente com o objetivo de compartilhar informações e promover a conscientização sobre a doença. Além disto, a campanha visa também proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento, contribuindo para a redução da mortalidade. Por isto, este mês vamos tratar sobre o câncer de mama neste espaço.

O câncer de mama é o tipo de tumor que mais acomete as mulheres brasileiras, excluídos os tumores de pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados 66.280 novos casos da doença no nosso país, ao longo de 2020. Apesar de raro, o câncer de mama também acomete homens, representando apenas 1% do total de casos da doença.

Esta é uma enfermidade causada pela multiplicação desordenada de células da mama, que gera células anormais, as quais, ao se multiplicarem, formam um tumor. Existem vários tipos de câncer de mama, o que faz com que a doença possa se desenvolver de formas diferentes em cada organismo. Alguns tipos têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem mais lentamente. Estes comportamentos distintos se devem a características próprias de cada tumor.

Um dado muito importante de ser falado quando tratamos de câncer de mama é que: O tumor, quando diagnosticado precocemente, em estágio inicial e com menos de 1 centímetro, tem 95% de chance de remissão. Trazer esta informação é de extrema relevância, pois o câncer de mama consegue ser rastreado e descoberto de forma precoce através de um exame periódico: a mamografia. Este exame é uma radiografia das mamas feita por um equipamento de raios X chamado mamógrafo, capaz de identificar alterações suspeitas de câncer antes do surgimento dos sintomas, ou seja, antes que seja palpada qualquer alteração nas mamas. A Sociedade Brasileira de Mastologia orienta que mulheres, a partir dos 40 anos, façam anualmente a mamografia.

Mulheres mais jovens, que não tenham indícios de risco elevado de câncer de mama, não são aconselhadas a fazer mamografia, pois nessa idade as mamas são mais densas, o que pode fazer com que o exame apresente muitos resultados incorretos. Porém, independente da idade, é importante incentivar as mulheres a conhecer seu corpo para saber o que é e o que não é normal em suas mamas. Sintomas como: nódulo (caroço), fixo e geralmente indolor, pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja, alterações no mamilo, pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço e saída espontânea de líquido anormal pelos mamilos devem ser sinais de atenção para as mulheres, que logo devem procurar os serviços de saúde para avaliação diagnóstica. A postura atenta das mulheres em relação à saúde das mamas é fundamental para a detecção precoce do câncer da mama.

Existem alguns fatores de risco que fazem com que o câncer de mama tenha maior possibilidade de desenvolvimento. A idade é um dos principais, visto que cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem em mulheres com mais de 50 anos. Além deles, outros fatores também devem ser observados: a obesidade e sobrepeso após a menopausa, primeira menstruação antes de 12 anos, menopausa após os 55 anos, uso de contraceptivos hormonais, ter feito reposição hormonal pós-menopausa e ter histórico familiar de câncer de mama ou/e ovário.

Um nódulo ou outro sintoma suspeito nas mamas deve ser investigado para confirmar se é ou não câncer de mama. Para a investigação, além do exame clínico das mamas, exames de imagem podem ser recomendados, como mamografia, ultrassonografia ou ressonância magnética. A confirmação diagnóstica só é feita, porém, por meio da biópsia, técnica que consiste na retirada de um fragmento do nódulo ou da lesão suspeita por meio de punções (extração por agulha) ou de uma pequena cirurgia. O material retirado é analisado pelo patologista para a definição do diagnóstico.

Uma vez diagnosticado, o tratamento do câncer de mama depende da fase em que a doença se encontra (estadiamento) e do tipo do tumor. Pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica (terapia alvo). Muitos avanços vêm ocorrendo no tratamento do câncer de mama nas últimas décadas. Na comunidade científica, hoje, já existe mais conhecimento sobre as variadas formas de apresentação da doença e diversas terapêuticas estão disponíveis.

Uma pesquisa de 2019, divulgada na Revista Cancer Epidemiology e realizada em parceria pelas Universidades de São Paulo (USP) e de Harvard (EUA), calcula que cerca de 30% dos casos de câncer no Brasil poderiam ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis, como não fumar e praticar atividades físicas. Nestes números, inclui-se também o câncer de mama.

Por isto, é importante ressaltar que manter uma dieta equilibrada baseada em uma alimentação rica em legumes, frutas, vegetais, grãos e com baixo consumo de sal, açúcar e alimentos ultraprocessados é de extrema importância na prevenção do câncer de mama. Alinhar esta nutrição adequada com exercícios físicos regulares diminui ainda mais o desenvolvimento do câncer de mama, pois a atividade física promove o equilíbrio dos níveis de hormônios, reduz o tempo de trânsito gastrointestinal, fortalece as defesas do corpo e ajuda a manter o peso corporal adequado.

Mulheres, neste outubro rosa busquem manter uma rotina saudável, evitando hábitos como o tabagismo ou o consumo excessivo de álcool, permanecendo próximas dos seus médicos e não se esquecendo dos exames periódicos. A prevenção do câncer de mama não deve ser feita apenas em outubro, mas sim todos os dias em pequenas atitudes na vida de vocês.