É o tumor ósseo mais comum, representando cerca de 15% de todos os tumores ósseos e 20% dos tumores ósseos benignos. Parece que a causa mais provável do osteocondroma é a modificação na direção de crescimento da placa fisária (placa de crescimento), com protrusão lateral de porções desta placa, causando o desenvolvimento de proeminências ósseas, excêntricas e cobertas de cartilagem. A exostose costuma ser detectada na infância e adolescência, os pacientes costumam relatar “um caroço” palpável.

A localização principal é a região do joelho, distal no fêmur e proximal na tíbia. Em seguida, a região da cabeça do úmero e do fêmur. A lesão pode ser séssil ou pediculada. A capa de cartilagem ao redor costuma variar de 1 a 3 mm em espessura. Quanto mais jovem o paciente, mais espessa é a capa de cartilagem. Uma bolsa pode se formar sobre o osteocondroma e geralmente é decorrente do processo inflamatório que ocorre pela irritação dos músculos e tendões adjacentes e pode levar à dor local.

A lesão é frequentemente descoberta incidentalmente, no exame radiográfico ou durante a palpação de uma massa na região acometida. Os osteocondromas pequenos não causam dor. A dor resulta do trauma direto no tumor ou do processo inflamatório que acomete a bolsa adjacente. Pode ocorrer fratura geralmente da base da exostose dos tumores pediculados e consequente dor localizada. Podem ser solitários ou múltiplos, este último geralmente associado a uma patologia hereditária.

A radiografia simples é suficiente para diagnóstico da lesão. Entretanto, outros exames podem auxiliar no diagnóstico tais como a tomografia computadorizada para as lesões em localizações ruins e para determinar sua real extensão; e a ressonância magnética para medir a capa cartilaginosa.

O tratamento para osteocondromas não dolorosos é acompanhamento clínico. A ressecção do osteocondroma está indicada quando houver compressão de nervos, artérias, tendões ou quando a exostose estiver interferindo com o crescimento da extremidade, levando a alterações funcionais ou mecânicas, ou quando houver irritação da “bursa”. A fratura do osteocondroma pode ocorrer e nesta circunstância pode-se optar pelo tratamento conservador ou cirúrgico. Muitos pacientes solicitam a cirurgia apenas por estética, não sendo esta uma indicação para tal.

As complicações associadas aos osteocondromas são as deformidades ósseas, fraturas (especialmente relacionadas com osteocondromas pediculados), alterações vasculares (pseudoaneurismas, deslocamentos e oclusões vasculares), compressões neurológicas e formação de bursas. A complicação mais temida dos osteocondromas, no entanto, é a transformação maligna. Ocorre em aproximadamente 1% das lesões solitárias e tem maior prevalência em exostoses múltiplas hereditárias, em torno de 3-5%. Lesões que crescem ou causam dor após a maturidade do esqueleto são suspeitas para transformação maligna, pois osteocondromas raramente crescem após a maturidade.

O acompanhamento, com médico especializado na patologia, se faz necessário para indicação do melhor tratamento do osteocondroma.