Por que ainda é necessário falarmos sobre o tema?

 Em agosto, o calendário de saúde traz uma data muito relavante para lembrar de como os nossos hábitos influenciam diretamente o nosso estado de saúde: 29 de agosto é o Dia Nacional de Combate ao Fumo.

Ao longo dos anos, o percentual de adultos fumantes no Brasil vem apresentando uma expressiva queda. Em 1989, 34,8% da população acima de 18 anos era fumante, de acordo com a Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição (PNSN). Uma grande diminuição nestes números foi observada no ano de 2003, quando, na Pesquisa Mundial de Saúde (PMS), o percentual observado foi de 22,4 %. Já em 2008, segundo a Pesquisa Especial sobre Tabagismo (Petab), este percentual era de 18,5 %.Os dados mais recentes, do ano de 2019, analisados pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), apontam que percentual total de adultos fumantes estaria em 12,6 %. Sendo assim, considerando o período de 1989 a 2010, a queda do percentual de fumantes no Brasil foi de 46%. Com isto é estimado que um total de cerca de 420.000 mortes foram evitadas neste período.

Apesar deste cenário positivo, as pesquisas realizadas no Brasil por diferentes instituições de referência no assunto na última década indicam que o uso de tabaco ocupa o segundo lugar no ranking de drogas mais experimentadas por jovens no país. A idade média de experimentação de tabaco entre os jovens brasileiros é de 16 anos de idade, tanto para meninos quanto para meninas. Nacionalmente, a frequência de fumantes jovens do sexo masculino tende a ser maior do que a do sexo feminino. Os estudos indicam que a experimentação de tabaco é maior entre estudantes da rede pública de ensino e, geralmente, as frequências de uso de tabaco nos últimos 30 dias também são maiores em instituições de ensino públicas.

Além do cigarro comum, outras formas de consumo de tabaco também estão virando moda entre os jovens, como cigarros eletrônicos, vaporizadores e narguilé. Diferentemente da versão de papel, que queima por combustão, estes modelos funcionam através da vaporização. Isto é, eles contêm um líquido que, ao ser aquecido, gera o vapor aspirado e exalado pelo usuário. Segundo os fabricantes, esta seria a razão que os torna menos prejudiciais do que os cigarros tradicionais. Mas a comunidade médica enxerga com preocupação a popularização destas novas formas de fumar.

Nos Estados Unidos, por exemplo, que contam com mais de 9 milhões de usuário dos dispositivos eletrônicos de fumar, uma síndrome respiratória misteriosa já matou 12 consumidores em menos de um mês. No mesmo período, 805 casos foram registrados em 46 dos 50 estados americanos. Mais da metade dos pacientes tem menos de 25 anos e três quartos são homens. Eles costumam chegar ao hospital com dor no peito, dificuldade de respirar e febre alta.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), os Dispositivos Eletrônicos para Fumar não são seguros e possuem substâncias tóxicas, além da nicotina. Podendo causar doenças respiratórias, como o enfisema pulmonar, doenças cardiovasculares, dermatite e câncer.

Já o narguilé, de berço oriental e de uso coletivo, é muito popular no Brasil, tendo papel de destaque em bares e festas frequentadas pelos jovens. E uma sessão de 20 a 80 minutos com narguilé corresponde a fumar mais de 100 cigarros.

Portanto, marcar esta data ainda é necessário para lembrar para jovens e adultos como o cigarro, e suas mais diferentes variações, são prejudiciais para a nossa saúde. O tabagismo é causa direta de mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica como bronquite e enfisema, além de ser responsável por diversos tipos de câncer como os de pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga, colo de útero, estômago e fígado. O cigarro causa ainda doenças coronarianas como angina e infarto e doenças cerebrovasculares, como acidente vascular cerebral. Além disto, ele também aumenta o risco para desenvolver outras doenças como tuberculose, infecções respiratórias, úlcera gastrintestinal, impotência sexual, infertilidade em mulheres e homens, osteoporose, catarata, entre outras.

Em um contexto de pandemia mundial, cujo vírus em questão ataca a capacidade respiratória do indivíduo, a necessidade de promover a luta contra o tabagismo toma ainda mais relevância. Apesar dos estudos ainda serem preliminares, é sabido que pacientes que apresentam pulmões com afecções crônicas, se acometidos pelo vírus, podem ter maior dificuldade na recuperação. Uma das principais causas de morte da Covid-19 é pela Síndrome Respiratória Aguda Grave e se você já tem um pulmão comprometido por consumo de tabaco é provável que a recuperação seja mais complexa do que se você tiver um pulmão sadio.

Por tudo isto, parar de fumar é válido e importante em qualquer idade e em qualquer momento, independente de quantos anos o indivíduo tenha feito uso do tabaco. A partir do momento que o paciente deixa de fumar, ele melhora a sua condição física e sua capacidade respiratória, além de reduzir o risco de câncer e tornar a  sua função pulmonar mais adequada. Para aqueles que desejam parar de fumar, mas estão encontrando dificuldades, busque um médico. A medicina é capaz de apoiar esta sua decisão para que você tenha hábitos mais saudáveis. Tanto um clínico geral, quanto um pneumologista especializado na área de tabagismo, podem explicar as opções existentes atualmente.

Por você e por todos a sua volta, escolha parar!