As emergências médicas são, em muitos casos, situações de vida ou morte. O sucesso desses atendimentos de risco garante a vida do paciente e a minimização de sequelas. E tudo isso está diretamente relacionado com a atuação rápida e precisa de uma equipe qualificada e multidisciplinar, que tome decisões bem fundamentadas. Nesse contexto, o reconhecimento do Conselho Federal de Medicina (CFM) desta área de atuação como especialidade representa um enorme avanço. Sobretudo, por conta da formação de médicos emergencistas e de residência médica na área, uma luta antiga da categoria, que sempre teve o apoio do Conselho Regional de Medicina no Estado do Rio de Janeiro (Cremerj).

Enquanto a medicina de emergência (ME) ainda não havia sido reconhecida como especialidade, o Cremerj tomou a responsabilidade de realizar eventos sobre o assunto, além de possuir um já tradicional grupo de trabalho, que mantém a emergência como foco permanente de discussão. O Fórum de Emergência do Cremerj é um evento criado com a função de reunir os melhores especialistas do Rio de Janeiro a fim de atualizar e reciclar os médicos emergencistas. O evento já é realizado há 13 anos pela Câmara Técnica de Urgência e Emergência e pelo Grupo de Trabalho sobre Emergência do Cremerj. É de consenso da classe médica que o emergencista necessita de boa formação e qualificação. Nas faculdades, a medicina de emergência não costuma ser uma área de atuação explorada como deveria, por isso, a qualificação que os médicos recém-formados adquirem vem do próprio cotidiano das emergências, aprendendo com a experiência de médicos veteranos. E está se tornando cada vez mais comum que os médicos recém-egressos das universidades, sem algum tipo de formação específica, assumam a responsabilidade de atuar na área. Esse cenário é agravado pela superlotação das emergências, resultado de uma politica de saúde que não valoriza a atenção primária.

Com reconhecimento da ME como especialidade, o Ministério da Educação (MEC) e a Comissão Nacional de Emergência Médica (CNRM) credenciaram 24 programas de residência médica em medicina de emergência na área adulto e pediátrica. Foram escolhidas 20 instituições, distribuídas em diversos estados do país, que serão novos centros de formação de médicos emergencistas. Dos renomados hospitais que propuseram os programas de residência, o único escolhido do Estado do Rio de Janeiro é o Hospital da Posse, motivo de muito orgulho para nós iguaçuanos. A escolha, sem dúvida, retrata a importância da unidade, tanto na formação de novos médicos quanto na excelência no atendimento a seus pacientes.

Ao todo serão 12 programas de residência em ME Adulto, com acesso direto e duração de três anos, e 12 programas da área de atuação em ME Pediátrica – como é o caso do Hospital da Posse, com duração de um ano, tendo como pré-requisito a Residência Médica de pediatria.

O que nós do Cremerj defendemos é que pacientes com casos graves e complexos, que chegam às portas de entrada das unidades de saúde, devem ser recebidos por uma equipe treinada especificamente para esse tipo de situação. Sem dúvidas, a criação de programas para formação de emergencistas é um grande incentivo para os médicos que se interessam pela área e buscam qualificação e melhorias no atendimento nas emergências de todo país.

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