Nossa história é permeada por grandes momentos importantes no cenário brasileiro. No Século XVIII, foi introduzido o plantio de café e a descoberta e exploração de ouro em Minas Gerais. Tal fato aumentou a importância do Rio de Janeiro, iguassu1principalmente a sua atividade portuária. Com a abertura do Caminho Novo, ligando o recôncavo da Baía de Guanabara ao interior de Minas Gerais, intensificaram–se as atividades do porto do Rio de Janeiro, aonde as viagens para o interior passaram a ser mais rápidas e o ouro e os diamantes passaram a ser escoados diretamente pelo porto do Rio. O crescimento econômico aumentou proporcionalmente à importância política, através da ligação marítima do centro da cidade com o recôncavo da Baía de Guanabara. Promovia-se assim o crescimento da Baixada Fluminense e seus portos de escoação do açúcar, que era o principal produto manufaturado da região de Campos e da Baixada. Um poderoso ciclo nascia na Baixada Fluminense, o café.

A povoação de Iguaçu se deu como normalmente foi a penetração do homem no Brasil. As plantações se localizavam às margens dos rios. Construía-se uma capela e logo atrás um cemitério e as casas iam se aglomerando em relativa distância umas das outras.

iguassu2Em 1833 (criação da Vila de Iguaçu), a Vila estava assentada em terreno levemente ondulado no centro; montanhoso ao norte, noroeste e sul; e plano a leste. Em 1837, no centro da Vila, perto do porto, estavam os edifícios da Câmara, Cadeia, Fórum, armazéns e casas comerciais. Ao longo do Rio Iguaçu, em direção ao Caminho da Serra, estavam os portos de Pinto, do Viana e dos Soares e Mello. Era comum, em dias de festas religiosas, cobrir todo o percurso por onde passaria a procissão com folhas de mangueiras, que o lento caminhar dos fiéis, triturando- -as, fazia exalar um cheiro agradável, que se misturava com a poeira. Quando chegava o Natal, era costume muito apreciado a construção de presépios adornados com palhas de pindoba enfeitadas com animais de barro ou gesso (erguidas nas varandas ou terraços). Na noite de Natal, o vai e vem nas ruas era intenso com romarias e visitações aos muitos presépios e jogos de adivinhações. E as gargalhadas completavam as brincadeiras (PEREIRA , 1997).

E ainda de acordo com Pereira (1997), outra festividade muito popular na Vila eram as noites de São João e São Pedro, quando enormes fogueiras eram erguidas e clareavam as ruas; e no calor das brasas assava-se o milho e a batata- -doce … e bebia-se alegremente. Depois das sortes e dos saltos sobre as fogueiras, sagrava-se o compadrio respeitoso e, em seguida, sucediam-se os bailes que, bem poucos, chegavam à madrugada. Em seus áureos tempos, a vila apresentava: Um banco – o Souto; uma Cia de Teatro – a do Giovanne; uma banda de música, sob a regência do maestro Alexandre de Araújo, chamada Iguaçuana; um colégio – Colégio Lúcio, de Lúcio José da Solva; três grandes trapiches de café: 1) Das firmas Soares e Mello – de propriedade do Comendador Francisco José Soares, Bernardino José de Souza e Mello e Manoel Luís de Souza e Mello, 2) O denominado “do Pinto”, do Barão do Tinguá, e 3) O do Viana – de Francisco José de Souza Viana e seu filho Bento Gonçalves Viana; uma fábrica de móveis – a de Antônio Lisboeta; uma fábrica de arreios, de Francisco Furtado de Mendonça; uma fábrica de charutos, de José Antonio Barbosa; uma farmácia, de Joaquim Coutinho da Silva Imbu; Uma padaria, da firma Mello, filhos & Guimarães, de propriedade do Ten. Henrique Augusto Soares de Mello e de Manoel Gonçalves da Silva Guimarães. Relatos das memórias do nosso passado na Vila de Iguassú.

iguassu3Hoje a antiga Vila de Iguassú é conhecida como Iguaçu Velha. A Vila foi um povoado que iniciou-se em 1699, juntamente com a construção da Capela de Nossa Senhora da Piedade de Iguassú e elevado a Vila Iguassú, em 1833 (INEPAC, 2014). Localizada à beira do velho caminho para a serra, região de engenhos de açúcar, cresceu com o transporte do café do Vale do Paraíba, evidenciando- -se assim como entreposto (centro de comunicação) e expandindo-se com o aumento do comércio da Serra. Um dos fatores considerados de grande importância para a expansão da Vila fora a Estrada do Comércio, concluída em 1819 pela Junta Real do Comércio, que transformava a Vila em importante região de passagem e comércio de ouro, café e de vários produtos importados (Inglaterra). A produção cafeeira, do Maciço do Tinguá e vizinhanças, do Vale do Rio Santana e vizinhanças e do Vale do Rio Paraíba, descia pela Estrada até ser embarcada nos vários portos do Rio Iguassú, e destes para o Porto do Rio de Janeiro (Barros , 2008).

marcelo-borghi