por Dr. Adilson Tavares

A 15 de janeiro comemoramos o aniversário de Nova Iguaçu. Nessa data, no ano de 1833, a Freguesia de Nossa Senhora da Piedade de Iguassú foi elevada à categoria de Vila pelo Decreto assinado pelo Regente Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, em nome do Imperador D. Pedro II. Somente em 29 de julho de 1833 foi instalada a Câmara dos Vereadores, com sete representantes. O novo Município foi formado pelas Freguesias de Nossa Senhora da Piedade de Iguassú (sede do Município), Santo Antônio de Jacutinga, Nossa Senhora do Pilar, Nossa Senhora da Conceição de Marapicu e Nossa Senhora da Piedade de Inhomirim. Em 13 de abril de 1835, a Assembleia Legislativa da Província do Rio de Janeiro extinguiu o Município com a alegação de que a Câmara de Iguassú não cumpria com suas atribuições (Lei 14). Após um movimento popular, encabeçado por Francisco José Soares e auxiliado pelo Dr. João José de Noronha, uma mensagem foi encaminhada ao Imperador D. Pedro II. A Câmara dos Deputados devolveu a petição à Câmara dos Vereadores, mas Francisco José Soares manteve a luta até conseguir, em 10 de dezembro de 1836, a restauração da Vila, com a Lei número 57. Por esse motivo, o Comendador Francisco José Soares é considerado o restaurador da Vila de Iguassú. Posteriormente, a Freguesia de Nossa Senhora da Piedade de Inhomirim foi desmembrada da Vila de Iguassú, após movimento dos moradores que consideravam muito longe a sede da Vila. Cabe lembrar que o Município está completando cento e oitenta e três anos, mas a Freguesia que deu origem à Vila tem origem no século dezessete. A Freguesia de Nossa Senhora da Piedade de Iguassú fazia parte da Capitania Hereditária de Martim Afonso de Souza. A partir de 1565, a região foi dividida em sesmarias, onde portugueses e seus descendentes cultivavam alimentos para o abastecimento da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Para alguns autores a criação da Freguesia deu- -se em 1719, mas em 1699 a localidade já possuía uma capela curada, donde se pode concluir que a Freguesia foi criada neste ano. A primeira capela era de pau a pique e deteriorou-se com poucos anos. Foi construída uma segunda capela que ruiu em poucos anos também. Somente em 1764 iniciou-se a construção da igreja definitiva, esta construída com pedra e cal.

O Comendador Francisco José Soares, importante comerciante da região, é considerado a pessoa mais importante do movimento popular que culminou com a Lei número 57.

Daí as homenagens que até hoje são prestadas a ele no dia 15 de janeiro. Nasceu em 18 de novembro de 1798 na Freguesia de Manhuncelos, Concelho de Marco de Canaveses, Distrito do Porto, em Portugal. Veio para o Brasil com 17 anos, tornando-se comerciante na Freguesia de Nossa Senhora da Piedade de Iguassú e proprietário de grandes fazendas. Foi presidente da Câmara dos Vereadores da Vila de Iguassú e Presidente do Partido Liberal. Em 1872 esteve em Manhuncelos, sua terra natal, onde contribuiu para a construção de um abrigo para crianças e fez doação para a construção da torre da igreja local e para a compra do relógio e do sino da torre sineira. Até hoje ele é reverenciado como sendo o grande benfeitor da Freguesia. Voltou ao Brasil, falecendo em 20 de julho de 1875.

Observação: À época, a palavra Iguassú era escrita com s e com acento agudo no u.