Queridos leitores, peço infinitas desculpas por não ter conseguido um título para esta coluna que não fosse pornográfico. Nenhuma palavra, socialmente correta, poderia representar o nosso sentimento, quando o assunto é Imposto de Renda. Para não colocar um título obsceno, preferi deixar sem título mesmo.
Tenho certeza de que, nesse momento, não há colega que não esteja regido pela indignação, após ter concluído sua declaração de Imposto de Renda. Solicito àqueles que não se enquadrem na minha afirmativa, se é que existe alguém, que enviem seu parecer para a redação da revista, para que possamos publicar suas razões.
A insatisfação maior não é dar para o governo, de mão beijada, 27,5% do que ganhamos trabalhando duro, sem contar com o restante dos impostos contidos nos bens e serviços, que somados atingem metade de nossa renda. Trabalhamos 6 meses por ano só para pagar impostos. O pior é o péssimo uso desse dinheiro. Se fosse bem aplicado em educação, segurança, transporte, lazer, saúde e outros benefícios sociais, teríamos enorme prazer em contribuir com um dos maiores impostos do mundo.
Infelizmente, o que se vê são descasos. Rede pública de saúde sucateada, com algumas exceções; malha rodoviária deteriorada, ou então privatizada; escolas públicas inoperantes; violência urbana muito acima do imaginável; enxugamento dos benefícios sociais, como FIES, auxílio- -doença, seguro desemprego, reajuste do salário dos aposentados etc.
Além dos impostos, há ainda uma conta social que temos de pagar: Escola particular, plano de saúde, pedágios, medidas de segurança (carros blindados, câmeras por toda parte, seguros contra roubos, homens armados etc.), filantropias diversas, entre outros. Sobra muito pouco para empregarmos no lazer, que também é caro, desde os elevados impostos, que encarecem a cervejinha, até o alto preço do ingresso no Maracanã privatizado e sem a geral.
Confesso que tive dificuldade para escrever o fechamento desta matéria. Fiquei na dúvida entre a conclamação dos cidadãos a uma insubordinação fiscal, sonegando o máximo que conseguirem, ou a convocação a uma adesão maciça aos movimentos populares reivindicadores do uso honesto das verbas públicas. Preferi deixar a escolha a cargo da consciência de cada um.

jose-roberto