Raphael Sacramento • Profissional de Educação Física

Neste mês de agosto, os olhos do mundo se voltam para o Rio de Janeiro, onde teremos concentrados os maiores e melhores atletas de 41 modalidades esportivas, disputando o lugar mais alto do pódio com a tão cobiçada medalha de ouro.

Ao depararmos com um atleta de alto rendimento, vemos seus corpos desenvolvidos e com musculaturas preparadas, com desempenhos físicos e marcas numéricas, que chegamos até nos questionar se esses atletas são realmente humanos.

Todos nós, hoje em dia, somos bombardeados de informações sobre a importância da atividade física como um dos componentes para qualidade de vida. Qualidade essa que envolve: atividade física, alimentação, descanso físico, relaxamento mental, vida social, harmonia familiar, entre outros. Nessa hora que questionamos se um atleta realmente tem qualidade de vida, vale lembrar que uma das primeiras coisas que acontecem com um jovem que começa a traçar uma carreira de atleta é se privar do convívio social, deixando de fazer coisas normais para um jovem da mesma idade. Um exemplo clássico foi o nosso medalha de ouro nos 50 metros livre de natação, César Cielo, em Londres 2012, onde teve que assinar um contrato onde era proibido de ter namorada e ter de se isolar em uma minúscula cidade dos EUA, onde se dedicaria apenas à natação no período pré-olimpico, ficando longe de badalações, família e amigos, isso com 25 anos. Outros exemplos são as ginastas, que se aposentam do esporte antes dos 30 anos, normalmente por artrose nas articulações; e os futebolistas, que dificilmente passam dos trintas anos sem ter tido uma lesão muscular.

Outra coisa é a busca pelo corpo perfeito, pois é uma utopia querer ter o bíceps de um levantador de peso olímpico, fazendo a série 3X10 repetições na academia; querer correr um maratona em duas horas, treinando após o expediente de trabalho; ou querer ter um percentual de gordura de um triatleta, fazendo a dieta da moda. As técnicas e exercícios utilizados por atletas em seus treinamentos e a alimentação são exclusivos para a melhoria de performance e não necessariamente para ter uma maior qualidade de vida. Então, se um atleta tem um abdômen definido ou peitoral musculoso, não é para que seja bonito, mas sim por que terá alguma finalidade para alcançar o máximo de desempenho no esporte que ele pratica, mesmo que isso esteja na contramão para uma vida saudável.

Quando se trata de exercícios visando saúde e o objetivo é a manutenção e melhoria da qualidade de vida, a prática deve ser realizada com prazer e satisfação, respeitando os limites e principalmente que não interfira negativamente nas atividades do cotidiano, como trabalho, estudo e vida social. Nunca subestime uma orientação especializada, por mais simples que seja a atividade que se pretende praticar, procure um profissional de sua confiança, pois além do conhecimento técnico, terá ele também a capacidade de individualizar e adequar a atividade às suas reais condições.

Raphael Sacramento
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