O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) tem acompanhado a nova perspectiva que os pediatras neonatais enfrentam no que diz respeito às cirurgias cesáreas, um de seus importantes pontos de atuação. A proposta do Ministério da Saúde é discutir a necessidade da presença desses profissionais nas salas de parto.

O Ministro da pasta, Arthur Chioro, declarou que o texto abrange somente os partos que previamente não apresentem riscos para a mãe e o bebê. Ele alega ainda que o estudo foi motivado pela falta de médicos pediatras em emergências e hospitais públicos.

Para o Cremerj, a proposta apresenta grandes equívocos. Um deles se refere à ideia de cesarianas sem riscos quando, na prática, entende-se que nenhuma cesárea pode realmente ser considerada de baixo risco, uma vez que se trata de uma atividade cirúrgica. Como se pode afirmar com certeza que a criança nascerá bem? Não podemos negar situações que fogem ao controle. Em casos de complicações, uma equipe médica completa é determinante para o sucesso da cirurgia e para a saúde da mãe e do recém-nascido.

A atenção do pediatra no momento do parto e uma atuação imediata, caso necessária, são decisivas para a saúde do bebê. Tanto obstetras quanto pediatras só podem caracterizar o parto como satisfatório depois de alguns dias observando a recuperação da mãe e do recém-nascido.

A proposta do governo surge como uma solução para a falta de pediatras. No entanto, esse discurso não se sustenta, uma vez que se tem conhecimento, pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), do grande número de médicos recém-formados interessados na residência nesta área. O real problema é a baixa oferta de condições de trabalho favoráveis para que esses profissionais sejam incentivados a trabalhar na rede pública.

O que de fato existe é uma falta de organização em relação a um plano de cargos, carreiras e vencimentos que seja compatível com o mercado. Se não há condições ideais, torna-se difícil fixar o profissional; e é esse contexto que causa a falsa impressão de que faltam pediatras.

Pode-se concluir que a proposta do governo de dispensar os pediatras das salas de parto é completamente equivocada. É importante que os médicos se manifestem e que pressionem o governo, junto às sociedades de pediatria, para que o texto não seja aprovado. O Cremerj defende que, independentemente do tipo de parto, toda paciente tenha direito a um hospital bem aparelhado e a uma equipe completa – com obstetras, pediatras, anestesistas e enfermeiros obstetras, que possam dar uma boa assistência para a mãe e o bebê.

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