Desde os primórdios da humanidade, há milhares de anos, intérpretes profissionais de sonhos já existiam. Entre os povos antigos da Babilônia, Caldeia e Judeia, a interpretação do sonho era conhecida como arte popularizada. E os mistérios dos sonhos nos perseguem até os dias atuais; enquanto alguém dormir, alguém vai sonhar. É através do sono que ocorre o reabastecimento das energias físicas e psíquicas, o corpo repousa, mas a alma parcialmente entra em liberdade e continua em suas atividades. Então começam as experiências que possuem significados distintos. Considerados por muitos como um mero subproduto da atividade cerebral noturna, os sonhos são experiências que o inconsciente constrói durante o nosso estado de sono. Cercados de uma aura de mistério, viraram um prato cheio para os roteiristas e diretores que não se limitam ao sentido criativo de seus filmes

quando fala o coraçãoAlguns exploraram o ambiente instável dos sonhos para a sua trama, geralmente deixando dúvidas sobre qual seria o plano real e qual o onírico. Comecemos com o mestre Akira Kurosawa e sua maravilha disfarçada de filme: Sonhos – o filme traz oito curtas, independentes entre si, baseados em diferentes sonhos que o diretor teve em diferentes momentos da vida. Em comum, todos têm a relação do homem com a natureza. De olhos bem fechados, o último e não menos ousado filme do diretor Stanley Kubrick, é uma constrangedora jornada psicossexual. Uma assustadora alucinação. O Dr. William Harford é jogado numa aventura erótica que o envolve num misterioso caso de assassinato. Como a história caminha entre dúvidas e medo, autodescobrimento e reconciliação, a obra é costurada com imagens surpreendentes. E imagens dessa natureza não faltaram no thriller Quando fala o coração, em que a terapeuta de um hospital psiquiátrico começa a perceber que o novo diretor da instituição tem um comportamento muito estranho. A sequência de sonho, concebida por Salvador Dalí, é uma obra de arte e se destaca neste filme de Alfred Hitchcock, que desejava uma sequência de sonho neste filme de 1945. Chamou então o pintor surrealista Salvador Dalí, sim, ele mesmo, para ser o responsável por tal seqüência. Os cenários são coisa de louco! De dar inveja a qualquer cenógrafo.

A OrigemPaprika, um animê que entrou em cartaz anos antes da obra-prima de Christopher Nolan, A Origem, que tem a mesma trama, uma espécie de terrorismo via sonhos. Uma roupagem diferente, porém com proporções apocalípticas até o fim. Mergulhados no mundo dos sonhos, é possível entrar nos sonhos de uma pessoa através de um pequeno dispositivo que pode ser colocado no seu ouvido. Em A Origem, que se transformou no filme ícone desse tema, um habilidoso larápio, mestre na perigosa arte da extração, pratica o roubo de valiosos segredos das profundezas do subconsciente durante os sonhos das pessoas, quando a mente fica totalmente vulnerável. O fato de ser um cobiçado jogador no traiçoeiro mundo da espionagem corporativa, fez dele um fugitivo internacional que perdeu tudo o que mais amava. A chance de redenção lhe foi oferecida onde, ao invés do roubo perfei- to, a missão é plantar uma ideia. Ruas que se dobram, lutas em gravidade zero, prédios que desmoronam como castelos de areia…

A Hora do Pesadelo: Anos depois de ser queimado vivo por molestar crianças, o serial killer Freddy Krueger, um homem deformado com garras de aço, começa a atacar suas vítimas, que agora já são adolescentes, matando-as através dos sonhos. Exibido pela primeira vez em 1984, teve infinitas continuações. O vilão só ataca dentro dos sonhos; e para escapar é preciso acordar de pesadelos horríveis. Morreu enquanto dorme, morreu na vida real! A Morte nos Sonhos: Uma universidade faz pesquisas com jovens paranormais para usar a habilidade destes em entrar no subconsciente e manipular os sonhos de outras pessoas. Um deles descobre uma conspiração para matar o presidente dos Estados Unidos. E deve, através dessas inserções, desmontar a trama de assassinato. A Cela é tenso do início ao fim. Nos confins de uma fazenda abandonada, um cruel assassino, psicologicamente instável, construiu “A Cela”, uma câmara, aonde ele leva suas inocentes vítimas, antes de dar início a um sádico ritual pós-morte com seus corpos. Capturado pelo FBI, ele sofre um ataque e entra em coma, sem deixar rastro sobre a localização do cativeiro. O FBI então chama a psicoterapeuta que utiliza um avançado estudo neurológico a fim de permitir que alguém entre na mente de pessoas catatônicas, no intuito de trazê-las à realidade.

Donnie Darko: O desenrolar se dá numa atmosfera sombria dos anos 80, e a pequena cidade claramente dividida entre liberais e conservadores. Donnie Darko, um garoto com traços de esquizofrenia (caracterizado pela sua psiquiatra), é acordado por um coelho monstro, que salva a sua vida de uma repentina queda de turbina de avião, que despenca do céu caindo sobre a sua cama. O coelho ainda profetiza o fim do mundo dentro de pouco tempo; e Donnie, permanece dividido entre realidade e alucinações, e seus muitos questionamentos sobre o sentido da vida e da morte.

A versão americana do filme Abra os Olhos, Vanilla Sky deixa a desejar ao tentar criar uma confusão em nossa cabeça de maneira um tanto forçada. O filme original é mais suave e, acima de tudo, pretende mesmo é contar uma história de amor. O jovem, rico e bonito, se divide entre duas mulheres, mas uma armadilha do destino transforma a sua vida num pesadelo terrível. Tudo começa com um acidente, em que sua namorada morre, seu rosto fica desfigurado e ele é acusado de assassinato. Submetido a várias cirurgias ele consegue recuperar seu belo rosto. Mas começa a apresentar um comportamento estranho, que intriga o psiquiatra local, confundindo o que é realidade e fantasia de forma assustadora. Alice no País das Maravilhas é uma das pérolas que acumula algumas versões ao longo de muitos anos. A fábula da garota curiosa, cansada da monotonia, que ao seguir um apressado coelho, acaba entrando num País das Maravilhas. Lá ela conhece seres incríveis, como o chapeleiro maluco, um gato e a famigerada Rainha de Copas. A última versão cinematográfica deste clássico é uma espécie de sequência do original: Alice, crescida, aos 19 anos, numa festa vitoriana, descobre que será pedida em casamento por um indesejado pretendente, frente à sociedade. Ela então foge, seguindo o coelho novamente, e repete a aventura no País das Maravilhas; um local que ela visitou há dez anos, mas não se lembrava de quase nada. O ritmo muito louco dos personagens e dos acontecimentos nos leva a crer que trata-se de um sonho psicodélico da mocinha.

magico de ozE finalmente o mais doce sonho do cinema. O Mágico de Oz. No Kansas, Dorothy vive com seu cachorro Totó e seus tios numa fazenda. A menina, num dia comum, acaba perdida na estrada em meio a um tornado, e não consegue chegar a tempo de se proteger num abrigo junto aos moradores; e ao ser atingida por um fragmento de uma janela acaba desmaiando. Daí, começam os “Devaneios” e ela se depara com um lugar maravilhoso. Que conta com a presença de bruxas boas e más, munchkins, sapatinhos de rubi, e alguns exóticos amigos feitos ao longo da estrada de tijolos amarelos que seguem a divertida e não menos perigosa viagem em busca de um encontro com o todo poderoso Mágico de Oz; o único que pode realizar o sonho da menina: Voltar para casa.

Bons sonhos você encontra nos seguintes filmes… Cidade dos sonhos; Um cão andaluz; A Ciência dos sonhos; Ladrão de sonhos; Arizona Dream; O Sonho americano; Sonhando acordado; Sonâmbulos; Waking Life; Viagem ao mundo dos sonhos; Sucker Punch: Mundo surreal; O Vingador do futuro.

Fontes: Tudo sobre cinema; O Sono e os sonhos – Severino Barbosa. Ed. EME; www.imdb.com; www.
filmow.com; www.adorocinema.com.br.
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