A projeção de cenários futuros, baseada na análise das tendências, com objetivo de adotar medidas que conduzirão a um Norte melhor, é uma das atitudes mais importantes do gestor qualificado.

Como deverá se comportar a seleção pentacampeã de futebol nas olimpíadas de 2016, competição em que nunca sagrou-se campeã?

Com deverei conduzir a educação sexual de meus filhos em 2016 diante da velocidade de mudanças ocorridas nos conceitos da sociedade como um todo?

Qual será o humor dos eleitores brasileiros para votar em vereadores e prefeitos em 2016, diante dos resultados das eleições presidenciais?

O adolescente atual será um criminoso comum em 2016?

Será regulamentada a eutanásia?

Será permitido o aborto por exclusiva vontade da gestante? Será obrigatório o parto normal?

Para estas questões ainda não temos respostas, e só falta um ano para este futuro projetado. Mas uma coisa é certa: O juramento de Hipócrates continuará em vigor em 2016. O médico, enquanto profissional autônomo, deve ser o gestor de si mesmo e, por isso, deverá se programar para o futuro. Quantos de nós lembram daquilo que jurou no dia da formatura? Quantos releem o Juramento de Hipócrates, pelo menos uma vez por ano? Para refrescar a memória, a fim de fazermos uma verificação de sua pertinência até os dias atuais, analiso abaixo esse documento escrito em 1771.

A medicina mudou, as doenças mudaram, os micro-organismos mudaram, os tratamentos mudaram, as cobranças sobre os médicos mudaram, mas o Juramento permanece intacto há 244 anos.

Inicialmente, o Juramento enaltece os mestres da arte médica e promete dedicação à sua divulgação. No trecho seguinte, rende homenagens aos pacientes, prometendo a prática do bem. Depois se compromete consigo mesmo, inclusive com a abstenção de envolvimento amoroso com pacientes. Finalizando jura sigilo médico. Após jurar estes itens, pede graças pelo cumprimento do Juramento.

A análise é simplificada, mas evidencia a persistência da validade do Juramento de Hipócrates.

Devemos ressaltar um eterno conflito, frequentemente atribuído ao Juramento de Hipócrates, referente à remuneração do médico. Porém, o documento não trata desse tema em momento algum. Por vezes, somos chamados de mercenários ao pleitear receber por serviços prestados ou por não aceitarmos salários vis, sempre contestados com base num juramento que sequer aborda o assunto! O Código de Ética Médica também nos protege pela recusa de um atendimento, exceto em caso de risco de morte.

Portanto, celebremos o eterno Juramento de Hipócrates e continuemos nossa luta para valorização da classe médica.

Nem tudo está perdido ainda. Há ilhas de excelência solidária. Devemos elogiar a atitude da colega Simone de Souza que deu assistência ao bandido baleado na cabeça, o qual acabara de a ameaçar. Parabéns pelo discernimento de que nossa missão está acima do caos social vivido no Brasil.

hippocratesJURAMENTO DE HIPÓCRATES

Forma completa tradicional

” Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos
segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.

Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.

Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.

Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.

Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.”

Hipócrates

http://www.gineco.com.br/jura.htm