O final do ano de 2015 e o início de 2016 foram marcados por contundentes eventos envolvendo a área médica.
A afirmação/confirmação do Ministro da Saúde, Marcelo Castro, de que a Zika pode criar uma “geração de sequelados”, em alusão à epidemia de microcefalia, expõe a ineficácia de todo o serviço de saúde do Brasil.
O passo seguinte se deu com a prisão dos irmãos médicos, Walter e Wagner Pelegrini, administradores da Biotech, Organização Social que gerenciava os hospitais Ronaldo Gazola e Pedro II, acusados de desvio de verbas da saúde, já tão combalida, na ordem de 50 milhões.
O pior evento, eu atribuo, foi a escala para plantão em dois locais diferentes, ao mesmo tempo, do médico, vereador e PRESIDENTE DA COMISSÃO DE SAÚDE DA CÂMARA DE VEREADORES, Dr. Gilberto Souza e, pior ainda, de sua esposa, Mara Gisele Souza, sem que comparecessem a nenhum dos locais de trabalho. Essa prática auferia a renda indevida de 40 mil reais por mês.
Na contramão dessa história, estava o colega Helder Dias da Costa Tomé Júnior, cruelmente assassinado ao sair do trabalho honesto, na UPA de Irajá, por um menor de 15 anos, que venderia seu automóvel por 5 mil reais, o qual foi entregue à polícia pela própria mãe.
Cruel também foi a morte do menino Gabriel, primeiro da fila para receber doação de um coração e, quando surgiu a rara oportunidade do transplante, a chance foi desperdiçada por falta de avião da Força Aérea Brasileira, aquele mesmo que fica à disposição de políticos e parentes para passeios fúteis.
Para completar o ciclo de eventos marcantes na área médica, ressaltamos a morte da modelo Raquel Santos, de 28 anos, que sofreu parada cardíaca após a aplicação de ácido hialurônico, a fim de atenuar marcas de expressão facial, denominadas “bigode chinês”. Segundo a família a modelo usava um estimulante, de uso veterinário, para tonificar a musculatura de cavalos, fato escondido do colega Wagner Moraes, que realizou o procedimento e assinou o atestado de óbito.
Curiosa foi a notícia de que 63% dos médicos, aprovados em concursos públicos estaduais e municipais, se recusam a assumir o emprego diante da baixa remuneração e das condições de trabalho insatisfatórias. Aquilo que outrora foi motivo de orgulho para a classe médica, a aprovação e atuação num hospital público, agora virou descarte.
Deu a louca na medicina!!!! Os jornais não noticiam mais boas coisas de nossa área. Será que não existem mais? Cadê os prêmios nobel de medicina, os salvamentos de vidas, o exercício honesto da profissão, o desenvolvimento de novas técnicas cirúrgicas, a descoberta de novos medicamentos revolucionários etc.? Não existem mais?
Para esse ano ainda temos mais uma bomba do governo com a proposta do retorno da CPMF, cujo destino, novamente, não será para a saúde; mas a população iludida cobrará de nós médicos melhoria no atendimento.