FELIZ 2017

FELIZ 2017

Chegamos a um final de ano muito conturbado para o setor de saúde. Além dos problemas crônicos, como sucateamento da rede pública, baixa remuneração dos médicos, judicialização ameaçadora do exercício da profissão, desqualificação da formação de novos profissionais e o empobrecimento da população, determinante da extinção dos pacientes particulares, esse ano ainda convivemos com situações agravantes do caos. (mais…)

Deu a Louca na Medicina

O final do ano de 2015 e o início de 2016 foram marcados por contundentes eventos envolvendo a área médica.
A afirmação/confirmação do Ministro da Saúde, Marcelo Castro, de que a Zika pode criar uma “geração de sequelados”, em alusão à epidemia de microcefalia, expõe a ineficácia de todo o serviço de saúde do Brasil.
O passo seguinte se deu com a prisão dos irmãos médicos, Walter e Wagner Pelegrini, administradores da Biotech, Organização Social que gerenciava os hospitais Ronaldo Gazola e Pedro II, acusados de desvio de verbas da saúde, já tão combalida, na ordem de 50 milhões. (mais…)

Resiliência: A palavra do momento.

O país é um caos só! Operação Lava- -Jato lotando as cadeias, inúmeras mortes e irrecuperável dano ambiental com a ruptura da barragem de Mariana, “epidemia” de microcefalia, Zica etc; sem mencionar os problemas tradicionais, que já não são mais informação, mas apenas confirmação cotidiana de engarrafamentos intermináveis, violência urbana sem controle, policiais marginais, sufoco financeiro etc. (mais…)

HIPÓCRATES 2016

HIPÓCRATES 2016

A projeção de cenários futuros, baseada na análise das tendências, com objetivo de adotar medidas que conduzirão a um Norte melhor, é uma das atitudes mais importantes do gestor qualificado. (mais…)

AINDA SOBRE O IMPOSTO DE RENDA

Queridos leitores, peço desculpas por repetir esse assunto nesta edição. Ao contrário do que possa parecer, não é falta de outros assuntos, mas extrema indignação com a carga tributária de nosso País, em especial, para nós médicos que contribuímos, como Pessoa Física, os 27,5% do Imposto de Renda. (mais…)

A CONSULTA ORTOPÉDICA

Enquanto ortopedista, sou testemunha de que somos especialistas de poucas palavras com nossos pacientes no consultório. Talvez por lidarmos com patologias de diagnóstico objetivo; talvez pela correria imposta no dia-a-dia; talvez por sermos mais cirurgiões do que clínicos; talvez pelo perfil dos médicos afeitos a esta especialidade; ou por qualquer outro motivo. O fato concreto é que a consulta ortopédica não comporta delongas.

A Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos, preocupada com o efeito negativo que este comportamento lacônico do ortopedista no consultório possa causar na relação médico paciente, elaborou um roteiro a ser seguido durante a consulta.
O médico deve apresentar-se com indumentária apropriada, asseado e sorridente.

A declaração de boas-vindas, do tipo “bom dia”, deve ser feita com contato olhos nos olhos, em tom vocal consistente, agradável e sem pressa. A pronúncia do nome do paciente personifica a consulta. O aperto de mão inicia o contato corporal, inaugurando o exame físico.

No início da anamnese o médico deverá estar sentado de frente para o paciente e o encurvamento anterior do tronco transmitirá interesse e dedicação exclusiva. Não iniciar o diálogo com “Tudo bem?”. Isto afronta o paciente, pois se estivesse tudo bem ele não iria ao médico. Recomenda-se que se comece de forma serviçal: “Como posso te ajudar?” As estatísticas demonstram que os pacientes levam, em média, 2 minutos para contar sua história, entretanto, o ortopedista interrompe o paciente em, aproximadamente, 18 a 23 segundos. Os médicos devem escutar as palavras exatas e as frases fundamentais do paciente, que podem, mais tarde, ser repetidas para ele, a fim de demonstrar compreensão, habilidade de escuta e atenção.

Devemos valorizar a queixa do paciente com comentários do tipo: “Isto deve ser muito doloroso/angustiante/frustrante/ assustador/preocupante etc”. Então, fazer algum comentário sobre a hipótese diagnóstica e convidar/pedir autorização para a realização do exame físico. Vencida esta etapa, se for o caso, informar ao paciente a importância da realização de exames complementares, pedindo seu consentimento para realizá-los.

Concluído o diagnóstico, devemos expor a proposta terapêutica, seus efeitos colaterais, os prazos previstos para cura, as opções para o caso de insucesso e o prognóstico, sempre usando palavras claras e diretas, que se adaptem ao estilo e aos valores do paciente. As analogias, médicas ou sociais, e os desenhos simples devem ser usados para dar perspectiva aos pacientes e reduzir a chance de que eles não entendam o que o médico está explicando. Muito cuidado com a iatrogenia verbal (coisas que se falam e que induzem percepção patológica nos pacientes).

Finalizando a consulta o médico deverá concluir revisando o diagnóstico, tratamento e prognóstico. Questionar se restou alguma informação a mais que necessita ser esclarecida. Terminar com um aperto de mão, mantendo o contato visual, explicitando expectativa para um desfecho positivo.

 

“SEM TÍTULO”

Queridos leitores, peço infinitas desculpas por não ter conseguido um título para esta coluna que não fosse pornográfico. Nenhuma palavra, socialmente correta, poderia representar o nosso sentimento, quando o assunto é Imposto de Renda. Para não colocar um título obsceno, preferi deixar sem título mesmo.
Tenho certeza de que, nesse momento, não há colega que não esteja regido pela indignação, após ter concluído sua declaração de Imposto de Renda. Solicito àqueles que não se enquadrem na minha afirmativa, se é que existe alguém, que enviem seu parecer para a redação da revista, para que possamos publicar suas razões.
A insatisfação maior não é dar para o governo, de mão beijada, 27,5% do que ganhamos trabalhando duro, sem contar com o restante dos impostos contidos nos bens e serviços, que somados atingem metade de nossa renda. Trabalhamos 6 meses por ano só para pagar impostos. O pior é o péssimo uso desse dinheiro. Se fosse bem aplicado em educação, segurança, transporte, lazer, saúde e outros benefícios sociais, teríamos enorme prazer em contribuir com um dos maiores impostos do mundo.
Infelizmente, o que se vê são descasos. Rede pública de saúde sucateada, com algumas exceções; malha rodoviária deteriorada, ou então privatizada; escolas públicas inoperantes; violência urbana muito acima do imaginável; enxugamento dos benefícios sociais, como FIES, auxílio- -doença, seguro desemprego, reajuste do salário dos aposentados etc.
Além dos impostos, há ainda uma conta social que temos de pagar: Escola particular, plano de saúde, pedágios, medidas de segurança (carros blindados, câmeras por toda parte, seguros contra roubos, homens armados etc.), filantropias diversas, entre outros. Sobra muito pouco para empregarmos no lazer, que também é caro, desde os elevados impostos, que encarecem a cervejinha, até o alto preço do ingresso no Maracanã privatizado e sem a geral.
Confesso que tive dificuldade para escrever o fechamento desta matéria. Fiquei na dúvida entre a conclamação dos cidadãos a uma insubordinação fiscal, sonegando o máximo que conseguirem, ou a convocação a uma adesão maciça aos movimentos populares reivindicadores do uso honesto das verbas públicas. Preferi deixar a escolha a cargo da consciência de cada um.

jose-roberto