Teste de esforço em esteira prediz risco de mortalidade

Cientistas americanos desenvolveram uma fórmula com a ajuda da qual pode- se testar o risco de morte de uma pessoa durante os próximos
dez anos usando-se um simples teste de esforço em uma esteira. Os médicos esperam, assim, motivar os pacientes de alto risco a se
exercitarem mais. O estudo foi publicado na revista “Mayo Clinic Proceedings”.

Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins em Baltimore (Maryland) analisaram dados de mais de 58.000 pessoas com idades entre 18 e 96
anos que completaram um teste padrão de esforço em uma esteira em Detroit (Michigan) entre 1991 e 2009. Eles também rastrearam quais
participantes morreram nos dez anos subsequentes ao teste.

Os médicos calcularam o “FIT Treadmill Score” (Índice de Esteira FIT) com o auxílio dos fatores idade, sexo, pico de frequência cardíaca
e nível de condicionamento físico medidos por equivalentes metabólicos (metabolic equivalents – MET). As pontuações variaram de 200
negativo a 200 positivo, com todos os valores na faixa positiva demonstrando um risco mais baixo de mortalidade.

Pessoas que obtiveram 100 ou mais pontos têm um risco de mortalidade de dois por cento, e aqueles com pontuações entre 0 e 100, um risco
de três por cento. Se a pontuação estivesse entre 100 negativo e 0, o risco de mortalidade nos próximos dez anos era de onze por cento,
se fosse menor que 100 negativo, o risco aumentava para 38 por cento.

O índice “FIT Treadmill Score” é fácil de se calcular e é econômico, disseram os autores do estudo. “Esperamos que o índice se torne uma
base nos consultórios de cardiologistas e clínicos gerais como um modo significativo de ilustrar o risco entre aqueles que passam por
testes de esforço cardíaco e estimule as pessoas com resultados ruins a se tornarem mais ativas fisicamente”, disse o autor sênior,
Michael Blaha.

Referências
Mayo Clinic Proceedings (abstract) http://www.mayoclinicproceedings.org/pb/assets/raw/Health%20Advance/journals/jmcp/jmcp_pr90_3_1.pdf

Comentário adicionais:

Desde os trabalhos científicos de Ralph S. Paffenbarger Jr, e colaboradores, que em 25/02/1993 publicou no The New England Journal of Medicine (1), os resultados dos seus questionários, relacionando estilo de vida e graus de atividade física dos alunos egressos da Universidade de Harvard, que foram respondidos inicialmente em 1962 e seguidos até 1985, os quais demonstraram o que hoje sabemos sobejamente: que os indivíduos que mantiveram seu estilo de vida de maneira adequada e que se exercitaram, moderada ou intensamente, tiveram benefícios adicionais em sua qualidade de vida, além de viverem mais anos do que aqueles que assim não o fizeram.

Desde então inúmeros estudos nos deram variados sistemas de pontuação de risco baseados em aptidão física para medir o risco de falecer em prazos curtos, estritamente em pacientes com doença cardiovascular estabelecida ou sinais evidentes de problemas cardiovasculares.

Em contrapartida, esse novo algoritmo pode aferir o risco de morte a longo prazo em qualquer pessoa com base exclusivamente no desempenho do exercício em esteira. A pontuação, a equipe de pesquisa, diz, poderia fornecer pistas valiosas sobre a saúde de uma pessoa e deve ser calculado para os milhões de pacientes que se submetem a testes de estresse cardíaco nos Estados Unidos

1-http://www.nejm.org/doi/pdf/10.1056/NEJM199302253280804