Queridos leitores, peço desculpas por repetir esse assunto nesta edição. Ao contrário do que possa parecer, não é falta de outros assuntos, mas extrema indignação com a carga tributária de nosso País, em especial, para nós médicos que contribuímos, como Pessoa Física, os 27,5% do Imposto de Renda.

A criação de uma empresa, com o intuito de reduzir o recolhimento de impostos, não nos protege das nossas maiores fontes de pagamento: Os empregos e o cooperativismo, para os quais nos relacionamos como pessoas físicas.

o-consultor-ausenteA essência da nossa profissão, que é atender ao paciente, nos penaliza de forma implacável junto ao fisco. Muitos colegas se dedicam a outras atividades, que não a assistencial, as quais oferecem a oportunidade de atuar como Pessoa Jurídica, justamente para não ter o governo como sócio. Mas qual é a nossa vocação e para que somos formados, senão o cuidar de pacientes?

A minha revolta aumenta quando percebo que os governantes, responsáveis pela arrecadação dos impostos, dão um jeitinho de não pagá-los, mesmo quando estão lavando dinheiro de propina. Baseio minha indignação na matéria de capa da revista Época de 20/4/15: “OS PAPÉIS SECRETOS DE PALOCCI”. A reportagem, além de denunciar ganhos supostamente indevidos, apresenta recibo, oficializando o dinheiro, de um questionável serviço de auditoria, no qual o Imposto de Renda é de apenas 1,5%.

Sugiro que não leiam essa matéria, para continuarmos com nossa alma limpa. Nossa profissão nos dá riqueza espiritual, mesmo que não haja correspondência pecuniária.
jose-roberto