Enquanto ortopedista, sou testemunha de que somos especialistas de poucas palavras com nossos pacientes no consultório. Talvez por lidarmos com patologias de diagnóstico objetivo; talvez pela correria imposta no dia-a-dia; talvez por sermos mais cirurgiões do que clínicos; talvez pelo perfil dos médicos afeitos a esta especialidade; ou por qualquer outro motivo. O fato concreto é que a consulta ortopédica não comporta delongas.

A Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos, preocupada com o efeito negativo que este comportamento lacônico do ortopedista no consultório possa causar na relação médico paciente, elaborou um roteiro a ser seguido durante a consulta.
O médico deve apresentar-se com indumentária apropriada, asseado e sorridente.

A declaração de boas-vindas, do tipo “bom dia”, deve ser feita com contato olhos nos olhos, em tom vocal consistente, agradável e sem pressa. A pronúncia do nome do paciente personifica a consulta. O aperto de mão inicia o contato corporal, inaugurando o exame físico.

No início da anamnese o médico deverá estar sentado de frente para o paciente e o encurvamento anterior do tronco transmitirá interesse e dedicação exclusiva. Não iniciar o diálogo com “Tudo bem?”. Isto afronta o paciente, pois se estivesse tudo bem ele não iria ao médico. Recomenda-se que se comece de forma serviçal: “Como posso te ajudar?” As estatísticas demonstram que os pacientes levam, em média, 2 minutos para contar sua história, entretanto, o ortopedista interrompe o paciente em, aproximadamente, 18 a 23 segundos. Os médicos devem escutar as palavras exatas e as frases fundamentais do paciente, que podem, mais tarde, ser repetidas para ele, a fim de demonstrar compreensão, habilidade de escuta e atenção.

Devemos valorizar a queixa do paciente com comentários do tipo: “Isto deve ser muito doloroso/angustiante/frustrante/ assustador/preocupante etc”. Então, fazer algum comentário sobre a hipótese diagnóstica e convidar/pedir autorização para a realização do exame físico. Vencida esta etapa, se for o caso, informar ao paciente a importância da realização de exames complementares, pedindo seu consentimento para realizá-los.

Concluído o diagnóstico, devemos expor a proposta terapêutica, seus efeitos colaterais, os prazos previstos para cura, as opções para o caso de insucesso e o prognóstico, sempre usando palavras claras e diretas, que se adaptem ao estilo e aos valores do paciente. As analogias, médicas ou sociais, e os desenhos simples devem ser usados para dar perspectiva aos pacientes e reduzir a chance de que eles não entendam o que o médico está explicando. Muito cuidado com a iatrogenia verbal (coisas que se falam e que induzem percepção patológica nos pacientes).

Finalizando a consulta o médico deverá concluir revisando o diagnóstico, tratamento e prognóstico. Questionar se restou alguma informação a mais que necessita ser esclarecida. Terminar com um aperto de mão, mantendo o contato visual, explicitando expectativa para um desfecho positivo.