O Ano Novo se aproxima e com ele momentos de reflexão daquilo que realizamos e ainda queremos conquistar. O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio (Cremerj) tem participado de várias frentes em defesa da saúde pública e uma delas é o movimento pela valorização dos hospitais universitários localizados no Estado, que passam por uma situação crítica devido à falta de financiamento. A situação motivou o Conselho a promover uma audiência, que contou com a presença dos diretores das instituições e de parlamentares, com o intuito de debater medidas para solucionar os problemas dessas unidades.

No âmbito dos hospitais universitários do governo federal, o Clementino Fraga Filho (HUCFF), conhecido como Hospital do Fundão, da UFRJ, está, por exemplo, com um déficit de R$ 10 milhões, o que já resultou no fechamento de serviços básicos, além do cancelamento de internações e cirurgias eletivas. No Antônio Pedro (Huap), ligado à UFF, também foram suspensas todas as cirurgias e internações eletivas. No Gaffrée e Guinle, da Unirio, que acumula uma dívida de R$ 15 milhões com fornecedores, foram desativados 106 leitos. Já no Estado, o Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), ligado à Uerj, suspendeu, por falta de verbas, o pagamento das bolsas dos residentes, que paralisaram as suas atividades.

Além de hospitais de alta complexidade – que são referência na assistência à população –, os hospitais universitários são responsáveis pela formação de novos médicos e pelo desenvolvimento de pesquisas e tecnologias para a área de saúde. É importante lembrar que essa situação caótica não é recente. Há algum tempo essas unidades sofrem com a falta de recursos, conforme temos denunciado. O problema é que a crise econômica pela qual o país passa agravou o problema. Apesar de vivermos um período de recessão, não pode haver desassistência. Nada justifica a suspensão do financiamento para essas unidades tão importantes.

Com essa luta pela valorização dos hospitais universitários em curso, posso afirmar que este foi um ano crítico para a saúde pública e, para nós, de grandes desafios. O empenho por melhores condições de trabalho para os médicos sempre esteve atrelado à luta pelo acesso irrestrito a uma saúde de qualidade para a população. E, em meio a tantas dificuldades e crises, são algumas conquistas que nos impulsionam a dar prosseguimento a esses esforços.

Uma dessas vitórias foi a inauguração da nova emergência pediátrica do Hospital da Posse. Com 10 leitos de internação e três consultórios, a expectativa é de que, por mês, cerca de mil crianças sejam atendidas no setor. Recentemente, também foi inaugurada a enfermaria pediátrica da unidade, que era uma antiga reivindicação do Cremerj. Hoje, felizmente, posso dizer que o serviço de pediatria do Hospital da Posse está em boas condições. A nova emergência é bem equipada, estruturada e possui equipe médica completa, o que faz toda a diferença na hora do atendimento. Importante falar também sobre a criação da especialidade de médicos emergencistas. E que o Hospital da Posse terá a 1ª residência médica em emergência pediátrica.

Cito, também, como uma conquista, a inauguração da primeira clínica cirúrgica do Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), após anos de luta dos médicos da unidade, com o apoio do Cremerj. O setor passou por ampla reforma e modernização da infraestrutura, tornando as enfermarias mais confortáveis e humanizadas para os pacientes, além de um melhor ambiente de trabalho para os profissionais. Agora, a área passou a ter 25 leitos – usados para cirurgias de alta complexidade.

Sei que a Saúde atravessa um difícil momento no Rio de Janeiro, mas fico satisfeito em falar dessas conquistas, porque elas são motivo de esperança e nos incentivam a continuar a nossa luta por melhorias neste setor. E é isso que sentimos com a inauguração desses serviços. Eles dão um novo ânimo para os colegas que atuam nesses hospitais e, principalmente, garantem um atendimento digno à população. Acredito que isso possa repercutir em outras unidades e na saúde pública como um todo.

Em 2016, o nosso trabalho continuará pela valorização da Saúde e de uma assistência de qualidade para a população. Nossa luta por salários dignos e condições adequadas de trabalho também é incansável. Falando disso, encerro com a esperança da nossa merecida carreira de Estado, caso seja aprovada a PEC 454/2009. Com essa reflexão, fica óbvio que o nosso Novo Ano será novamente de muito trabalho, o que é bom, pois nos aproxima ainda mais das vitórias.